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Gestão de riscos em gráficas: como proteger a empresa não barra o seu crescimento

  • Foto do escritor: mulheresdeimpressao
    mulheresdeimpressao
  • 25 de fev.
  • 7 min de leitura


Na última ‘Quartas que Conectam’, do Mulheres de Impressão (MDI), recebemos Alexandre Romero, CEO da Contaget Seguros, para uma conversa estratégica sobre um tema que, muitas vezes, só ganha atenção quando já é tarde demais: gestão de riscos na indústria gráfica. E o ponto central do encontro foi direto e provocador: segurança não é custo, é estratégia. Em um setor intensivo em ativos, como máquinas de alto valor, estoque volumoso de papel, insumos específicos, energia elétrica constante e produção diária, proteger a operação não é opcional, é questão de continuidade do negócio. Este artigo reúne os principais aprendizados do webinar, organizados de forma prática para aplicação imediata na sua empresa!


O risco existe, mas a proteção é uma escolha


Imprevistos não avisam quando chegam. Incêndios, vendavais, alagamentos, danos elétricos ou falhas estruturais podem interromper completamente uma operação.


Pensando nisso, a pergunta que atravessou todo o encontro foi: se a minha gráfica parar hoje, por quanto tempo eu sobrevivo?


Essa reflexão muda completamente a forma como olhamos para o seguro. Não se trata apenas de “ter uma apólice”. Trata-se de garantir:


  • Reconstrução do patrimônio;

  • Continuidade operacional;

  • Proteção do caixa;

  • Preservação de clientes e contratos.


Tudo isso prova que, no fim das contas, seguro não é custo, é estratégia de permanência no mercado. Porque quando o imprevisto chega, sobrevive quem se preparou antes.


Os principais riscos nas gráficas


Segundo a experiência de mais de 30 anos da Contaget no segmento gráfico, as maiores dores do setor são:


  • Incêndio (total ou parcial);

  • Vendaval e destelhamento;

  • Alagamento;

  • Danos elétricos (placas e componentes);

  • Quebra ou paralisação de máquinas;

  • Perda de faturamento pela produção interrompida.


Mas, apesar de todos esses riscos visíveis, que vão de causas naturais a falhas de manutenção, existe um perigo ainda mais silencioso e perigoso: o seguro mal dimensionado, que cria a falsa sensação de proteção e só revela sua fragilidade quando a empresa mais precisa dele.


O perigo do rateio…


Um dos pontos mais críticos abordados foi o rateio. Ele acontece quando o valor segurado é menor do que o valor real do patrimônio em risco. Nesse caso, a seguradora paga a indenização proporcionalmente.


Imagine que a gráfica tenha um prejuízo de R$ 3 milhões após um incêndio. Porém, na apólice, o patrimônio foi declarado por um valor muito menor do que realmente vale.


Quando isso acontece, a seguradora aplica a chamada regra proporcional: ela entende que, se o cliente segurou apenas uma parte do valor real, também receberá apenas aquela mesma proporção na indenização.


Na prática, funciona assim: se o patrimônio valia muito mais, mas foi segurado por um valor reduzido, a indenização não cobre o prejuízo total. Por isso, mesmo diante de um dano de R$3 milhões, a empresa pode receber apenas R$300 mil — porque estava ‘parcialmente segurada’.


O resultado é crítico: milhões deixam de ser indenizados, a empresa precisa usar caixa próprio (ou se endividar) para reconstruir, e o impacto pode comprometer a continuidade do negócio. É exatamente por isso que o risco mais perigoso não é apenas o sinistro, é acreditar que está protegido quando, na verdade, não está.


Como dimensionar corretamente o seguro?


O cálculo não é feito com base em valor de mercado (valor venal), é feito com base em reconstrução e recomposição. Pensando nisso, o ideal é separar a empresa em ‘caixinhas’, que podem ser organizadas da seguinte maneira:


  • Estrutura predial (custo por metro quadrado para reconstrução);

  • Infraestrutura (instalação elétrica, hidráulica, sistemas de incêndio);

  • Máquinas e equipamentos (possibilidade de reposição por equipamento novo);

  • Estoque de papel;

  • Insumos e tintas;

  • Produtos em processo e acabados;

  • Bens de terceiros sob custódia.


Inclusive, esse último ponto merece atenção especial, pois muitas vezes é um risco pouco lembrado.


Entretanto, diversas gráficas recebem papel do cliente, recebem insumos específicos, recebem produtos promocionais (ex: celulares para kits), produzem para outras gráficas, etc; Desse modo, se houver sinistro, esses bens também precisam estar cobertos.


Lucros cessantes: a cobertura que protege o caixa


Muitos empresários contratam apenas a cobertura de incêndio e deixam de lado aquilo que realmente mantém a empresa viva: o fluxo de caixa. Porque, no fim, não é só o patrimônio físico que sustenta a operação, é o faturamento recorrente que paga folha, impostos, fornecedores e mantém os contratos ativos.


É justamente aí que entram os lucros cessantes. Essa cobertura existe para indenizar o faturamento que deixa de ser gerado após um sinistro, além de ajudar a cobrir despesas fixas e compromissos contratuais que continuam existindo mesmo com a produção parada.


Na prática, imagine que uma máquina responsável por grande parte da receita fique inoperante por seis meses. Nesse cenário, a seguradora pode indenizar o lucro que deixou de ser gerado durante esse período.


Mas para que isso funcione, é fundamental que o valor contratado esteja corretamente dimensionado e que a empresa tenha organização contábil, com DRE, balanços e controle por centro de custo que comprovem o impacto real da paralisação.


Outro ponto estratégico é o período indenitário, que normalmente varia entre seis e doze meses. A definição não deve ser aleatória. Ela precisa responder a uma pergunta essencial: em quanto tempo, de fato, eu conseguiria colocar minha gráfica de pé novamente?


Ameaças que vão além do óbvio


Quando falamos em proteção patrimonial, é comum pensar primeiro em incêndio. Mas a realidade das gráficas brasileiras mostra que os riscos mais frequentes, e muitas vezes mais devastadores, estão ligados a eventos climáticos e à própria estrutura tecnológica da operação.


  1. Alagamentos e eventos extremos


O caso das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 trouxe uma realidade dura para muitas empresas. Alagamento não é automaticamente coberto por incêndio ou vendaval, é uma cobertura específica.


Empresas próximas a rios, córregos ou áreas historicamente afetadas devem considerar essa proteção como prioridade.


  1. Alagamentos e eventos extremos


Com oscilações frequentes de energia, especialmente em grandes centros, placas eletrônicas podem queimar com facilidade. Hoje, uma única placa pode custar R$70 mil, R$80 mil ou mais.


Pensando nisso, é importante reforçar que a cobertura de dano elétrico:


  • Tem custo acessível;

  • Permite contratação com limite flexível;

  • Não entra em rateio;

  • É uma proteção essencial para um parque gráfico altamente tecnológico.


Ou seja, em um ambiente cada vez mais tecnológico e sensível a variações de energia, ignorar esse risco pode sair muito mais caro do que preveni-lo. Proteger os equipamentos é, na prática, proteger a continuidade da operação.


  1. Vendaval: não é só o telhado


A cobertura de vendaval vai muito além de proteger apenas o telhado. Ela ampara a empresa em casos de destelhamento, danos causados pela entrada de água, prejuízos em máquinas e equipamentos, perdas de estoque e até desmoronamentos provocados por tempestades mais severas.


Considerando o impacto que um evento climático pode gerar na estrutura e na operação da gráfica, trata-se de uma proteção com custo relativamente baixo diante do risco financeiro envolvido e, por isso, extremamente estratégica.


  1. Isopainel: atenção redobrada


A utilização de Isopainel tem crescido por custo e eficiência térmica, mas o tipo de material faz diferença enorme no risco. Isso porque, alguns painéis têm núcleo inflamável (como isopor), o que pode:


  • Agravar incêndios;

  • Colapsar estruturas rapidamente;

  • Levar à negativa de sinistro se não declarado.


Por isso: mudou o telhado? Instalou painel? É obrigatório comunicar à seguradora!

5. Placas solares não são cobertura automática


Cada vez mais gráficas têm investido em energia solar como forma de reduzir custos e ganhar autonomia energética. No entanto, o que muitos empresários ainda não sabem é que as placas solares não são automaticamente cobertas pela apólice predial tradicional.


Isso é especialmente importante porque esse tipo de sistema também está exposto a riscos relevantes, como danos elétricos, incêndios causados por inversores e impactos de vendaval ou granizo. Sem a proteção adequada, um investimento feito para gerar economia pode se transformar em um prejuízo significativo. AVCB: o documento que pode definir tudo


O AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) é um dos primeiros documentos solicitados pelas seguradoras em caso de sinistro.


Se ele estiver vencido no momento do ocorrido, a empresa pode enfrentar inclusive a negativa de cobertura, o que transforma um problema operacional em um risco financeiro ainda maior.


Mas não é apenas o documento em si que importa. Hidrantes não podem estar obstruídos, extintores precisam estar dentro do prazo de validade e as áreas devem ser corretamente compartimentadas, conforme as normas de segurança.


A organização da estrutura impacta diretamente tanto na precificação quanto na aceitação do risco pela seguradora. No fim das contas, o nível de organização da operação é observado com atenção, e pode ser determinante na hora em que a empresa mais precisa do seguro.


Em caso de sinistro: o que fazer?


Diante de qualquer sinistro, a prioridade absoluta deve ser a segurança das pessoas. Acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros e as autoridades competentes é o primeiro passo.


Em seguida, é fundamental comunicar a seguradora ou o corretor o quanto antes, para que as orientações formais sejam seguidas desde o início do processo.


Também é essencial registrar tudo: fotografar e filmar os danos com o máximo de detalhes possível, criando um histórico claro do ocorrido. Ao mesmo tempo, não se deve mexer em nada ou descartar materiais sem autorização da seguradora, pois isso pode comprometer a regulação do sinistro.


Uma dica estratégica destacada no webinar foi manter o hábito de filmar periodicamente toda a operação, máquinas, estoque, estrutura e organização, e armazenar esses registros em nuvem.


Esse material pode acelerar significativamente a análise e facilitar a liquidação do sinistro, reduzindo burocracias em um momento que já é naturalmente delicado.


Conclusão: proteger para crescer!


Gestão de risco não freia crescimento, ela sustenta o crescimento. Quando a gráfica está protegida, ganha segurança para assumir novos contratos, confiança para investir, previsibilidade para operar e tranquilidade para proteger o próprio caixa.


A verdadeira maturidade empresarial está justamente na capacidade de prever o imprevisível e se preparar antes que ele aconteça. E, como ficou claro neste encontro do Mulheres de Impressão, crescer sem proteção não é ousadia: é exposição.


 
 
 

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